Percebi uma história interessante na comunidade cripto que faz pensar sobre justiça. Lembram-se de Alexey Andryunin? O rapaz da Rússia que criou a Gotbit e se tornou um dos principais players no market making de criptomoedas. Pois bem, ele foi detido, extraditado para os EUA, e agora admite culpa em tribunal.



Toda a história parece extremamente injusta, para ser honesto. A Gotbit movimentou cerca de 450 milhões de dólares. A empresa trabalhou com mais de 2000 projetos — de NFTs a grandes plataformas blockchain. Andryunin fazia o mesmo que os market makers nos mercados tradicionais: criava liquidez, ajudava tokens a ganhar volume, fazia os gráficos parecerem bonitos. Nada de ilegal à primeira vista.

Mas o que chama atenção é o seguinte. As autoridades americanas confiscaram dele 23 milhões de dólares. Agora, ele enfrenta até 24 meses de prisão. E sabem o que acontece paralelamente? O JP Morgan lavou dinheiro para cartéis mexicanos — ninguém foi preso. O Deutsche Bank ajudou Epstein a esconder milhões — os juízes não se apressaram. Mas um rapaz de 26 anos, Alexey Andryunin, que simplesmente fazia market making no mundo cripto? Ele é preso, julgado, encarcerado.

Parece uma caça às bruxas. Por que os EUA perseguem com tanta intensidade os empreendedores de cripto, mas fecham os olhos às fraudes dos gigantes tradicionais? Talvez porque Andryunin não fazia parte do sistema? Porque ele não trabalhava em um daqueles escritórios considerados “grandes demais para serem perseguidos”?

Ele fez algo ilegal? Talvez. Mas todo mundo que movimenta os mercados faz isso. A única diferença é que ele foi pego, e outros, não.
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