Não consigo imaginar, se eu fosse filho do proprietário.


Dormir até naturalmente todos os dias, no final do mês enviar uma mensagem no grupo "Aluguel pago",
o dinheiro arrecadado é suficiente para eu ficar mais um mês deitado.
Não preciso trabalhar, não preciso bater ponto, não preciso olhar para a cara do chefe.
O inquilino perguntou se eu poderia fazer um desconto de duzentos, eu disse que não, porque eu também preciso viver.
No ano passado, havia uma inquilina, uma mãe solteira.
Ela morava na menor das casas, a cozinha era uma varanda convertida, no verão quente como uma estufa.
Ela pagava o aluguel pontualmente todo mês, nunca atrasava.
Uma vez, sua filha teve febre, ela ficou na rua esperando o Uber com a criança no meio da noite,
eu estava na varanda fumando, vi ela agachada sob a luz de rua, com um cobertor fino no colo.
Eu não desci.
No dia seguinte, pedi ao corretor para aumentar o aluguel em duzentos, alegando que os preços ao redor estavam subindo.
Depois, eu sofri um acidente de carro, perna direita amputada, deitado na cama sem conseguir levantar.
Minha mãe disse que aquela casa de aluguel deveria ser devolvida primeiro, você se mudaria para lá, pelo menos no térreo.
Eu disse que ainda tinha alguém morando lá.
Ela disse que a mãe solteira soube do seu acidente, arrumou uma casa para se mudar,
e ainda pagou um mês extra de aluguel, dizendo que você precisava de dinheiro para tratar a perna.
Quando ela foi embora, deixou uma caixa de leite, na geladeira velha que não refrigera.
Na porta da geladeira, havia um bilhete escrito à mão com três linhas:
"Lembre-se de tomar o leite."
A geladeira não refrigera, o dissipador de calor precisa ser trocado.
Quando ela escreveu isso, provavelmente tinha acabado de sair do turno da noite,
ainda segurando um band-aid de febre comprado na loja do bairro.
Agora, consigo me levantar com a ajuda de um bastão.
A caixa de leite ficou na cozinha sem ser aberta.
Ontem, eu a movi para a varanda e descobri uma folha de calendário rasgada no fundo,
com anotações sobre a troca de lâmpadas na área comum, feitas por ela a cada mês.
A mais antiga dizia respeito à luz do hall de entrada, datada do primeiro dia de mudança.
Naquela época, a filha dela ainda não tinha febre,
e eu ainda não tinha aprendido a ser alguém que não cobra aluguel.
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