Contratei um assistente, tinha três erros de digitação na sua currículo, chegou atrasado dez minutos na entrevista, e mesmo assim o contratei na hora.


A RH perguntou o que eu via nele.
Eu disse que olhei a caixa de rascunhos do e-mail dele.
Lá dentro tinha quarenta e sete e-mails não enviados.
O primeiro era uma carta longa para a ex-namorada, não enviada.
O segundo era um pedido de desculpas ao entregador, dizendo que ele tinha preenchido o endereço errado.
O terceiro era para o pai dele, só com três linhas, que ele apagou, escreveu de novo, apagou de novo, e por fim salvou como rascunho, sem enviar.
O quadragésimo sétimo era para o professor orientador, dizendo que, mesmo três anos após a formatura, ainda lembrava que o professor tinha dito que ele não se encaixava, e que queria convidar o professor para um jantar.
Eu disse que contei, e que entre os quarenta e sete rascunhos, nenhum era uma cobrança de dívida.
Nenhum era uma tentativa de se esquivar de responsabilidade.
Nenhum era uma tentativa de passar a culpa para alguém.
Ele escreveu todos os pedidos de desculpas, só não enviou.
A RH perguntou por que eu me importaria com uma pilha de e-mails não enviados.
Eu disse que ele pode deixar as desculpas eternamente na caixa de rascunhos, mas ele as escreveu.
Escrever significa que ele sabe quem ele prejudicou.
Uma pessoa que sabe quem prejudicou, não me prejudicará.
A RH ficou em silêncio.
No terceiro dia de trabalho dele, eu imprimi a caixa de rascunhos e coloquei na mesa dele.
Não falei sobre a entrevista, só disse:
“Aquela do seu pai, pode enviar.”
Ele ficou olhando para o papel por um tempo, depois abriu o computador, inclinou a tela um pouco para mim.
Ele não enviou para o pai, mas colou as palavras que tinha escrito nesses três anos de rascunho em um e-mail formal, e ainda não clicou em enviar.
Na caixa de comentários, escreveu:
“Quando eu voltar para casa, compro cigarro e bebida, você guarda o chá.”
Ainda é meu assistente, e na caixa de rascunho há mais algumas cartas.
A mais recente foi enviada para alguém chamado “Professor Zhou”, com o título:
“Eu não me encaixo, mas contratei alguém que é ainda mais não encaixado do que eu.”
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