Eu gastei oito mil reais em uma plataforma de recrutamento de alto nível para comprar o serviço de "Caça-talentos direcionado para assistente de presidência".


A página está escrita de forma mais emocionante que uma redação do vestibular: consultor sênior um a um, banco de dados com cem mil candidatos, correspondência precisa em média em três dias.
No terceiro dia, a correspondência chegou. Um PDF de sete páginas, com a capa bem editada como uma grande revista, até analisa SWOT se eu bebo café filtrado com as mãos.
Na última página, a coluna de preços dizia: salário esperado do candidato, a partir de trinta mil por ano, cooperação incondicional com o horário do chefe.
Ao olhar para as palavras "cooperação incondicional", meu coração deu um pulo.
De forma tentadora, liguei de volta, e do outro lado era realmente um velho caçador de talentos.
Ele falou rápido, dizendo que o candidato tem uma qualidade geral muito alta, saiu do emprego anterior porque o chefe imigrou, absolutamente estável.
Perguntei se poderia conversar por vídeo antes, e ele disse que o candidato está de férias no exterior e só volta na próxima semana.
Respondi que tudo bem.
Depois de desligar, fiquei cada vez mais desconfiado, achando que aquela voz me era familiar.
Peguei o PDF e rolei até a última página com o diploma, ampliei e vi uma marca d'água borrada — uma universidade estrangeira de qualidade duvidosa.
Fiz uma investigação reversa e descobri que esse "assistente sênior" trabalhou em um clube noturno em Macau há alguns anos.
Fiquei furioso na hora.
Comparei as fotos editadas do PDF com fotos promocionais do clube noturno, tirei print e liguei para a plataforma para reclamar.
A voz do outro lado foi fria, perguntou apenas o número do pedido, e depois soltou uma frase: "Um especialista entrará em contato com você."
Pronto, desliguei.
No dia seguinte, o especialista realmente retornou a ligação.
Reconheceu que houve uma falha na verificação, ofereceu compensação em pontos equivalentes, que poderiam ser usados na próxima compra.
Disse que não aceitava pontos, queria reembolso total.
O especialista ficou em silêncio por três segundos e disse que poderia devolver o dinheiro, mas que eu precisaria assinar um acordo prometendo não divulgar informações do consultor envolvido neste serviço a terceiros.
Concordei.
O acordo foi enviado, e eu li palavra por palavra — na última linha, em letras pequenas, dizia que, se violasse o acordo, teria que devolver o valor total e pagar uma indenização por danos à reputação da plataforma.
Sorri.
Fiz três cópias do acordo, enviei uma de volta, e marquei com uma caneta vermelha aquela linha pequena, escrevendo ao lado duas palavras:
"Você adivinha."
As outras duas cópias estão agora no arquivo do meu escritório de advocacia e na caixa de reclamações do conselho de consumidores local.
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