A regra de ciclos de alta e baixa do Bitcoin a cada quatro anos, por que nunca foi quebrada?


Em outubro de 2025, o Bitcoin mais uma vez atingiu uma nova máxima histórica de 126 mil dólares. Neste momento, exatamente 18 meses após a quarta redução pela metade em abril de 2024. Isso não é uma coincidência — o topo de 2017 ocorreu 18 meses após a halving, e o topo de 2021 também foi 18 meses após a halving. Quando abrimos a história do Bitcoin, uma verdade impressionante está diante de nós: desde a primeira halving em 2012 até hoje, passaram-se treze anos, e essa regra de “ciclo de quatro anos” nunca foi quebrada.
01. Uma “coincidência” que dura treze anos
O Bitcoin nasceu em 2009, e a primeira alta de mercado que realmente entrou na memória do mercado aconteceu em 2013. Naquela época, em novembro de 2012, o Bitcoin completou sua primeira halving, e a recompensa por bloco caiu de 50 para 25 moedas. Um ano depois, o preço disparou de dezenas de dólares para 1200 dólares. Naquele momento, a maioria pensou que era apenas uma bolha especulativa passageira.
Depois, em julho de 2016, ocorreu a segunda halving. Nos anos seguintes, em 2017, o Bitcoin subiu de pouco mais de 400 dólares até quase 20 mil dólares, atingindo uma alta histórica, com um aumento de 80 a 90 vezes no ciclo. O mercado começou a notar a palavra “halving”, mas muitos ainda consideraram isso uma coincidência.
Em maio de 2020, ocorreu a terceira halving, e em 2021, o Bitcoin atingiu 69 mil dólares. Três halving, três ciclos de alta. Após cada halving, o pico ocorre entre 12 a 18 meses depois, seguido de uma queda de 70% a 85%, e depois um período de aproximadamente um ano de baixa para formar o fundo, tudo começa de novo. Esse ritmo é preciso como um relógio mecânico.
Ao chegar em 2025, após a quarta halving em abril de 2024, o Bitcoin atingiu uma nova máxima de 126 mil dólares em 6 de outubro de 2025. 18 meses — exatamente igual às duas vezes anteriores. Aqueles que previam “desta vez é diferente” mais uma vez foram mostrados como equivocados.
Treze anos de dados não mentem: embora o aumento após cada halving diminua — quase 9000% na primeira, cerca de 2800% na segunda, cerca de 700% na terceira — a “presença” de um mercado de alta nunca desapareceu. Isso não é uma superstição de “marcar o barco para procurar a espada”, mas uma regra estrutural continuamente validada pelo comportamento do mercado. A regra pode ser questionada, mas os fatos não podem ser apagados.
02. Por que quatro anos? Misticismo?
Muita gente pergunta: se o ciclo de quatro anos é apenas uma coincidência, por que ele coincide perfeitamente com o tempo das halving?
A resposta está no código-fonte do Bitcoin. Satoshi Nakamoto, ao projetar o Bitcoin, estabeleceu uma regra rígida: a cada 210 mil blocos — aproximadamente quatro anos — a recompensa dos mineradores será reduzida pela metade. Isso não foi uma estratégia de marketing temporária, mas uma mecânica de emissão de moeda deliberadamente embutida, com o objetivo de combater a emissão ilimitada de moedas fiduciárias tradicionais.
Como essa mecânica impulsiona o preço? O raciocínio central é simples: oferta e demanda.
Se a demanda permanecer constante, a quantidade de Bitcoin recém-criada por dia cairá de 900 para 450 moedas, reduzindo a pressão de venda que o mercado precisa absorver pela metade. E o total de Bitcoin é sempre limitado a 21 milhões, sendo que a maior parte já está presa em carteiras de detentores de longo prazo. Na circulação real do mercado, quase só há novas moedas produzidas diariamente pelos mineradores. Quando essa oferta de novas moedas de repente é reduzida pela metade, e a demanda de compra não diminui na mesma proporção, a pressão de alta no preço se torna irreversível.
Esse é o princípio mais simples da economia, mas muitas pessoas o complicam demais.
Claro que, apenas o impacto de oferta pela halving não explica toda a magnitude de cada ciclo de alta. A euforia das ICOs em 2017, a entrada de instituições em 2021 e o verão DeFi, atuaram como amplificadores da demanda em seus respectivos ciclos. Mas é importante notar que cada halving ocorreu no fundo do mercado de baixa — em 2015, o Bitcoin caiu de 1200 para 164 dólares, e veio a halving; em 2018, de 20 mil para 3 mil dólares, e veio a halving; em 2022, de 69 mil para 15 mil dólares, e veio a halving novamente.
Isso é apenas coincidência? Prefiro acreditar que é um mecanismo de autorregulação embutido na “vida digital” do Bitcoin. Quando o mercado está mais desesperado na baixa, a halving reacende a escassez na oferta, preparando o terreno para a próxima alta.
03. A natureza humana nunca muda
O modelo de oferta e demanda é a base, mas não é tudo.
Se o ciclo de quatro anos do Bitcoin fosse apenas um modelo econômico simples, ele teria sido destruído pelos arbitradores há muito tempo. O que mantém esse ciclo por treze anos é um fator mais fundamental — a natureza humana.
Em cada ciclo de alta, ouvimos histórias quase idênticas:
“Desta vez é diferente, as instituições entraram, é um mercado de alta eterno.”
“O Bitcoin já foi aceito pela mainstream, não vai mais cair 80%.”
“A halving já foi totalmente precificada, não há mais retorno excessivo.”
Essas vozes surgiram em 2013, 2017, 2021 e 2025. E toda vez, o mercado ensina de forma cruel: o mercado pode mudar, mas a natureza humana não muda.
A alta de 2025 é especialmente irônica. No começo de 2024, o ETF de Bitcoin spot foi aprovado nos EUA, com gigantes de gestão de ativos como BlackRock e Fidelity entrando no mercado, atingindo o maior volume de posições institucionais já registrado. Por um momento, o mercado se encheu de narrativas otimistas de “alta eterna” — os institucionais são o dinheiro inteligente, eles não vão comprar na alta, nem vender na baixa, e a volatilidade do Bitcoin vai diminuir, fazendo os ciclos desaparecerem.
No entanto, após atingir 126 mil dólares em outubro de 2025, o Bitcoin caiu cerca de 25% em menos de um mês, chegando a menos de 90 mil dólares. O sentimento do mercado caiu do êxtase ao pânico, de forma surpreendente semelhante às máximas de 2017 e 2021. Aquelas pessoas que acreditaram que “desta vez é diferente” mais uma vez foram ensinadas pelo mercado.
04. Por que isso acontece?
Porque, independentemente de os participantes do mercado serem investidores individuais ou institucionais, o núcleo que impulsiona as negociações nunca foi “racional”, mas sim a ganância e o medo. Os institucionais não são deuses, eles também enfrentam pressões de resgate e precisam gerenciar riscos. Quando são impulsionados pela ganância a usar alavancagem e construir posições, suas ações não diferem essencialmente das dos investidores comuns.
Por outro lado, o momento mais desesperador de cada baixa é justamente quando a halving está se aproximando. Em 2015, o Bitcoin caiu de 1200 para 164 dólares, o mercado dizia que “o Bitcoin morreu”, e então veio a halving de 2016, e o ciclo de alta de 2017. Em 2019-2020, o Bitcoin oscilava entre 3000 e 4000 dólares, e o mercado dizia “não há mais ciclo de alta”, até que veio a halving de 2020, e o ciclo de alta de 2021. Em 2022, a baixa chegou a 15 mil dólares, e o mercado mais uma vez decretou a morte do Bitcoin, até que em 2024, a halving aconteceu novamente, e em 2025, atingiu uma nova máxima histórica.
Quando você pensa que “desta vez acabou”, na verdade o ciclo está se preparando para a próxima fase.
05. O ciclo ainda existe, só mudou de forma
Entrando em 2026, a discussão sobre a “possível falha do ciclo de quatro anos” voltou a ficar acalorada. Alguns apontam que a alta de Bitcoin nesta rodada foi de apenas 7 a 8 vezes, bem abaixo das quase 20 vezes de 2017; as altcoins estão fracas, a dominância do Bitcoin ainda é de quase 59%; o sentimento do mercado está frio, sem o entusiasmo de antes. Muitos analistas acreditam que, com a entrada de fundos institucionais, o ciclo de quatro anos está sendo quebrado.
Essas observações não são totalmente infundadas. A alta de 2024-2025 realmente foi diferente: o crescimento foi mais suave, a volatilidade mais contida, e o entusiasmo mais moderado. Mas eu prefiro pensar que o ciclo não foi destruído, apenas “suprimido” e “alongado”.
O fluxo contínuo de compras via ETFs fornece uma “camada de liquidez” ao mercado, suavizando as quedas. Os mineradores também não estão mais obrigados a vender em grande quantidade, eles começaram a usar derivativos para hedge de risco, e em 2025 até houve uma raridade: endereços de mineradores aumentaram seu saldo. A queda de 2022, de 77%, foi menor do que as de 2014 (86%) e 2018 (84%) — as quedas estão ficando menores, as altas mais lentas, mas o contorno do ciclo ainda é claro.
O ciclo não foi eliminado, apenas assumiu uma nova forma. Como adolescentes que crescem e mudam a voz, mas a vida não desaparece. A “maduração” do Bitcoin faz suas oscilações ficarem mais maduras, mas não altera sua essência: nascer na codificação, crescer na oferta e demanda, e ser moldado pela natureza humana.
06. As regras nunca foram feitas para prever
Ao chegar aqui, lembro de um fenômeno interessante: no mundo das criptomoedas, quem realmente lucra não são os que fazem previsões frequentes de “até quanto vai subir desta vez”, mas aqueles que, na hora mais desesperada da baixa, investem de forma constante, e na hora mais louca da alta, saem silenciosamente.
Eles não fazem previsão, eles seguem o fluxo.
A regra do ciclo de quatro anos do Bitcoin nunca foi feita para prever exatamente o topo ou o fundo, mas sim como um lembrete de “fazer a coisa certa na hora certa”. Ela nos ensina: quando você acha que o Bitcoin acabou, talvez seja o melhor momento; quando acha que vai até a lua, talvez seja hora de ficar atento.
Em 2028, a quinta halving acontecerá. Naquela época, a recompensa por bloco cairá para 1,5625 moedas, e a oferta diária será ainda menor, cerca de 225 moedas. Olhando de hoje, talvez essa regra seja questionada, zombada ou até considerada “falha”. Mas, se você me perguntar se ela será quebrada, minha resposta é: o código do Bitcoin ainda está rodando, a humanidade ainda não evoluiu. O ciclo de quatro anos provavelmente continuará chegando pontualmente. E, naquela época, as pessoas começarão uma nova rodada de “desta vez é diferente”, enquanto o ciclo continuará a girar silenciosamente — como um relógio que nunca fala, mas nunca erra.
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