Acabei de ouvir uma história bastante triste sobre investimento em ouro e queria partilhar convosco.



Há 22 anos, quando o preço do ouro em 2003 ainda era muito barato, cerca de 74.5 renminbi (yuans) por grama, uma irmã mais velha decidiu trocar toda a sua poupança de 300 milhões para comprar 4000 gramas de barras de ouro. O funcionário do banco, na altura, disse com muita confiança: o ouro é uma moeda forte, com valor muito superior ao betão armado. Ela acreditou, guardou o ouro num cofre, pagando a cada ano 0.6% de taxa de conservação, e assim se passou por 22 anos.

Chegada à primavera de 2025, o filho precisava com urgência de dinheiro para dar entrada na compra de uma casa, e a irmã mais velha, triste, vendeu o ouro. O preço a que a Zhou Daisheng comprou foi 688 renminbi (yuans) por grama, conseguindo vender por 2.752 milhões. Nos documentos, o lucro foi de 2.452 milhões, e a taxa de retorno anual era de 9.2%. Parece bom, mas quando se descontam as 48.000 taxas de conservação acumuladas e se soma a inflação — com os preços a triplicarem em 22 anos — então o poder de compra real fica apenas equivalente a 820.000 de 2003.

E se, nessa altura, ela tivesse sido honesta e aplicado aqueles 300 milhões numa casa na Vòng 3 de Bắc Kinh? A casa antiga, que custava 3000 renminbi (yuans) por m² na altura, agora já chegou aos 150.000 renminbi (yuans) por m²; os 300 milhões transformaram-se em 15 mil milhões. Que diferença enorme, não é?

Esta história revela três verdades bastante dolorosas:

Em primeiro lugar, o preço de compra do ouro nas lojas é sempre cerca de 6% mais baixo do que o preço de mercado. Se ela tivesse vendido o ouro em 2003 para comprar uma casa, quanto é que teria ganho?

Em segundo lugar, as taxas de conservação são como cupins na madeira: ano após ano vão comendo uma parte do capital. Somadas ao longo de 22 anos, dá um valor nada desprezável.

Em terceiro lugar, a inflação — esta é mesmo a lâmina suave que mata sem sangue. Naquela altura, com um jiao comprava-se um gelado de iogurte (de abacate, “bơ”), hoje, mesmo um gelado de água com açúcar já tem de custar oito renminbi (yuans).

Lembro-me de uma senhora Wang que vivia perto; em 2003 também tinha 300 milhões, mas ela usou-os para comprar ações da Tencent. Agora, a conta dela já tem nove dígitos.

Por isso é que se diz que o ouro é um talismã de proteção em tempos de guerra, mas em tempos de paz acaba por se tornar um “cinto de travagem” que abranda o aumento do património. Os vizinhos costumam dizer: em tempos de confusão, esconda ouro; em tempos de prosperidade, esconda chips. Está bem certo.

Passaram-se 22 anos; tempo suficiente para Hong Kong e Macau voltarem a duas vezes. Só agora a irmã mais velha percebe que acumular ouro em tempos de paz é como andar de bicicleta numa autoestrada — parece seguro, mas na prática fica-se para trás a ponto de já não se ver a luz traseira.
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