A maioria dos traders pensa que a escolha entre perpétuos de criptomoedas e futuros trimestrais se resume à preferência pessoal. Errado. A verdadeira vantagem na negociação de derivados não está apenas na quantidade de alavancagem que utilizas, mas na estrutura do contrato em si. Tenho notado que dois traders podem ter opiniões idênticas sobre BTC ou Ethereum, usar a mesma alavancagem e ainda assim acabar com lucros e perdas completamente diferentes, dependendo do instrumento de futuros que estão a negociar.



Deixa-me explicar por que isto importa e quando cada tipo de contrato faz realmente sentido.

Primeiro, os futuros perpétuos. Estes são atualmente o tipo de contrato dominante nos mercados de criptomoedas, e por uma boa razão. Os perpétuos não têm data de expiração, o que significa que podes manter uma posição indefinidamente, desde que mantenhas a margem. Essa flexibilidade é enorme para traders a retalho. A troca-off é o mecanismo de taxa de financiamento. Como os perpétuos nunca expiram, as exchanges usam pagamentos de financiamento para manter o preço do contrato ancorado ao mercado à vista. Se as posições longas forem mais agressivas e os perpétuos negociarem acima do spot, os traders longos pagam aos curtos. Se acontecer o contrário, os curtos pagam aos longos. Este ajuste normalmente acontece a cada 8 horas.

Aqui está o que a maioria dos traders subestima sobre as taxas de financiamento. Num forte mercado de alta, o financiamento pode permanecer positivo durante dias ou até semanas. Isso significa que, se estás comprado, estás a perder dinheiro continuamente para os vendedores a descoberto só para manteres a tua posição. Já vi traders a eliminar ganhos completamente porque não tiveram em conta os custos acumulados de financiamento durante rallies prolongados. A taxa de financiamento não é um detalhe menor — ela impacta diretamente a tua rentabilidade, especialmente em posições de longa duração.

Agora, os futuros trimestrais. Estes são contratos tradicionais com datas de expiração fixas, normalmente a terminar no final de cada trimestre financeiro. Sem taxa de financiamento, o que elimina imediatamente essa variável de custo oculto. Em vez disso, o preço do contrato reflete as expectativas do mercado diretamente através de algo chamado a base. Em mercados de alta, os contratos trimestrais geralmente negociam com um prémio em relação ao spot (contango). Em mercados de baixa, podem negociar com um desconto (backwardation). Essa base fica fixada no momento da entrada, pelo que a estrutura de custos é previsível desde o início.

Deixa-me ser específico sobre quando cada tipo de contrato realmente te dá uma vantagem.

Para negociação de curto prazo e scalping, os perpétuos de criptomoedas ganham quase sempre. A liquidez é maior, eles acompanham de perto o preço à vista, e há pouco deslizamento na maioria das condições. Traders diários e scalpers não mantêm posições por tempo suficiente para que a taxa de financiamento seja um fator importante. Os perpétuos são feitos para isso.

Mas aqui é que fica interessante. Em mercados de forte tendência, a dinâmica da taxa de financiamento inverte a vantagem. Quando estás a manter uma posição de várias semanas numa tendência de alta sustentada, esse financiamento positivo acumula-se em dinheiro real que sai da tua conta. Os futuros trimestrais evitam isso completamente. Sim, o contrato pode negociar com um prémio, mas esse prémio não aumenta infinitamente como os custos de financiamento podem fazer. Para traders de swing e de posição, isto torna-se uma diferença material na rentabilidade.

Mercados laterais são outra história. Quando o preço oscila e o sentimento é misto, a taxa de financiamento oscila. Às vezes é positiva, outras vezes negativa, e às vezes quase não existe. Nessas condições, os perpétuos tornam-se mais eficientes porque não estás a pagar consistentemente numa direção. Os futuros trimestrais ainda funcionam bem, mas há menos vantagem.

Depois, há o manual institucional. Os futuros trimestrais são preferidos por instituições e traders sofisticados porque desbloqueiam estratégias estruturadas. Arbitragem de cash-and-carry, negociação de base, spreads de calendário — tudo isto requer uma estrutura de preços previsível que os contratos trimestrais oferecem. As instituições gostam de saber exatamente qual será o custo de carry. Os perpétuos, por outro lado, são mais orientados para o retalho. São mais simples de entender, mais acessíveis e requerem menos infraestrutura.

A gestão de risco também difere. Ambos os contratos usam alavancagem, mas a dinâmica de liquidação não é idêntica. Os traders de perpétuos podem ser apanhados de surpresa por picos súbitos na taxa de financiamento durante mudanças voláteis de sentimento. Os traders de futuros trimestrais enfrentam risco de liquidação na expiração, mas evitam o problema de distorção do financiamento completamente. Nenhum é inerentemente mais seguro — tudo depende do tamanho da posição e de como geres ativamente o teu risco.

Então, qual contrato te dá realmente a melhor vantagem? Isso depende inteiramente do que estás a tentar fazer.

Usa perpétuos de criptomoedas se estás a negociar volatilidade de curto prazo, scalping, day trading ou precisas de liquidez constante. Funcionam melhor quando monitorizas ativamente as taxas de financiamento e podes ajustar rapidamente. O custo dos perpétuos é variável, mas para posições de curta duração, geralmente é mínimo.

Usa futuros trimestrais se estás a manter posições de várias semanas, queres uma estrutura de custos fixa ou estás a negociar base e arbitragem. Também são melhores se preferes uma posição ao estilo institucional, onde sabes exatamente o que estás a pagar desde o início.

Aqui está o que diferencia traders experientes dos demais. A maioria das pessoas escolhe um tipo de contrato e fica com ele. Traders experientes ajustam as suas ferramentas consoante as condições do mercado. Quando o BTC está numa forte tendência de alta sustentada, podem mudar para futuros trimestrais para evitar perdas por financiamento. Quando a volatilidade está elevada e fazem scalping de movimentos intradiários, voltam aos perpétuos pela liquidez e pelo acompanhamento apertado.

A verdadeira vantagem na negociação de derivados não é comprometeres-te com um instrumento em detrimento de outro. É compreenderes quando cada um faz mais sentido e seres disciplinado o suficiente para mudar. A estrutura do contrato influencia diretamente os teus resultados, e dominar essa estrutura é onde se constrói a verdadeira vantagem. Essa é a diferença entre traders que lucram consistentemente e aqueles que apenas têm sorte.
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