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Acabei de notar algo interessante que está a acontecer em Barcelona esta semana no MWC: a batalha pelo internet 5G satelital está a intensificar-se e os operadores tradicionais começam a ver-se num espelho. A SpaceX anunciou que lançará em 2027 satélites Starlink de nova geração com capacidade direct-to-cell, equipados para conectar directamente aos telemóveis sem passar por antenas terrestres. Mas o mais relevante é que estes satélites v2 prometem 100 vezes mais largura de banda do que a geração actual, atingindo até 150 Mbps. Isso significa internet 5G satelital real, não apenas mensagens de emergência como oferece a Apple.
A Deutsche Telekom já fechou um acordo para levar este serviço aos seus 140 milhões de clientes em 10 países europeus. Parece bem em papel, mas aqui vem o complicado: os operadores de telecomunicações estão numa posição estranha. Segundo a GSMA Intelligence, já existem 133 parcerias entre operadores tradicionais e empresas satelitais. A lógica é clara: se tens a melhor rede, ganhas mercado. O problema é que a Starlink não esconde as suas intenções. Recentemente comprou frequências da EchoStar por 17 mil milhões de dólares e quer usá-las globalmente. Em outras palavras, o teu parceiro de hoje pode ser o teu concorrente amanhã.
Por isso alguns operadores como a Vodafone estão a jogar de forma diferente. Assinaram uma parceria com a AST SpaceMobile para criar a SatCo, com satélites próprios em órbita baixa. A Orange e a Telefónica também anunciaram alianças com a AST e a SatCo esta semana. O interessante é que a Orange está a ser estratégica: quer incluir cláusulas de segurança para garantir que os satélites não sejam controlados do estrangeiro quando sobrevoarem a Europa. Ou seja, procuram evitar depender totalmente de uma única potência.
A realidade é que o internet 5G satelital já não é ficção científica. Estamos a assistir a uma corrida onde os europeus querem não ficar atrás, os americanos avançam rapidamente, e os operadores tradicionais estão entre a espada e a parede: precisam desta tecnologia mas temem ficar presos. A Eutelsat ainda não se lança ao direct-to-cell, mas o seu CEO deixou entrever que estão a considerar. Vai ser interessante acompanhar nos próximos meses.